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quinta-feira, 29 de abril de 2010

MASTITE BOVINA

José Cícero Morais Gandara

José Eduardo dos S. M. de Souza


A mastite, doença causada por diversos tipos de bactérias é hoje um dos maiores problemas dos produtores de leite do Brasil e é a enfermidade que causa maior prejuízo nos rebanhos leiteiros mundiais. É uma doença grave podendo contaminar de um até todos os animais de seu rebanho, causando queda na produção de 15% a 40% na produção total do rebanho.

A mastite nada mais é que uma inflamação nas glândulas mamaria, causada por microorganismos (bactérias), podendo afetar animais de todas as idades, acarretando queda na produção e em casos mais graves até a atrofia de tetos do animal. A mastite é facilmente transmitida a outros animas através de utensílios de ordenha e até pelo ambiente.

Durante e após a ordenha é quando ocorre o maior nível de infecções, já que nesta faze o esfíncter dos tetos se encontram relaxados e totalmente propícios à incidência de microorganismos.

A mastite é encontrada no caso clínico e subclínico. O caso clínico é o mais grave sendo detectado visualmente através de alterações anormais de úbere e de secreção, já o caso subclínico é de difícil detecção a olho nu, sendo detectado através da contagem de células somáticas e de exames como, por exemplo, o CMT.

O caso mais grave de contaminação é através da falta de higiene na ordenha, e geralmente é detectado tardiamente o que dificulta muito o controle e tratamento da doença. Isso em muitos casos ocorre pela falta de informação e conhecimento dos proprietários e funcionários, que não fazem o uso de exames preventivos como o CMT e também a caneca telada que deve ser feito diariamente podendo detectar a enfermidade no inicio facilitando 90% de seu tratamento.

A prevenção da doença deve-se principalmente a higiene dos equipamentos de ordenha devendo-se ser lavado e desinfetado corretamente no fim da ordenha. Fazer o uso corretamente do pré e pós-diping também e muito importante para evitar a contaminação, e um método simples, porém muito importante e o de deixar as vacas contaminadas e em tratamento para o fim da ordenha a fim de evitar a contaminação através das teteiras, e também evitar que os animais se deitem após os primeiros 25 pós ordenha a fim de evitar a contaminação através do solo.

O tratamento depende de se identificar a origem e o tipo de bactéria que causou a infecção, mas geralmente é feito à base de antibióticos e pomadas sendo que nesta deve-se fazer uma infusão intra-mamária.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

PRODUTIVIDADE DA PECUÁRIA DE CORTE

Lucas Paro Moralles
Luiz Henrique Piai Jr.

Hoje no Brasil, a grande maioria dos bovinos é criada a pasto em sistema geralmente extensivo, com baixa tecnologia associado aos baixos índices reprodutivos e produtivos.

Esta situação pode ser revertida com manejos nutricionais adequados como, pastagens de boa qualidade e suplementação. Outro fator muito importante é o manejo reprodutivo, como a definição de estação de monta, mão de obra especializada e a utilização de tecnologia como a inseminação artificial.

A genética dos animais reprodutores das propriedades também deixa muito a desejar, por isso, é muito importante que o produtor de uma atenção especial a este fator que é crucial para uma boa produção, pois reprodutores com potencial genético elevado podem oferecer descendentes com desempenho superior, aumentando assim os índices das características produtivas e reprodutivas do plantel.

Também o manejo sanitário é uma ferramenta importantíssima na produtividade animal, como a prevenção de doenças com vacinação contra aftosa e brucelose, além da aplicação contra endoparasitas e ectoparasitas.

Apesar dos índices da pecuária nacional, o Brasil ainda pode melhorar muito a produção e reprodução, com a conscientização do produtor, para levar a tecnologia até o campo, especializar a mão-de-obra, praticar a seleção de animais reprodutores e, tudo isso, aliado à prática de manejo adequado.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

INFLUÊNCIA DO NÚMERO DE ORDENHAS DIÁRIAS EM VACAS SOBRE A PRODUÇÃO DE LEITE

Diogo Anésio

Ricardo Rivas

Resultados de pesquisas revelam a influência do número de ordenha diárias sobre a produção de leite, sólidos totais (MS), duração de lactação, contagem de células somáticas e uma melhor saúde do úbere. Entretanto podendo haver variação nesta freqüência de acordo com a raça e rebanho. Clarck D. et al (2006) comparou o efeito da freqüência de ordenha (uma x duas vezes por dia) em rebanhos de vacas Hostein-Frisian e Jersey) sobre a produção de leite e sólidos totais (matéria seca gordura e proteína do leite), duração da lactação, contagem de células somáticas num período de quatro anos. Vacas Hostein-Frisian ordenhadas uma vez ao dia produziu 31,2% menos leite e 29, 4% a menos de MS (sólidos totais) por vaca comparado a outro rebanho manejado com duas ordenhas. Em contrapartida as vacas Jersey ordenhadas uma vez ao dia produziram 22,1% menos leite e 19,9% a menos de MS (sólidos totais) por vaca, comparadas a outras submetidas a duas ordenhas. Nesse caso deve ter ocorrido um efeito de interação raça x ordenha, pois as vacas Jersey produzem normalmente maior quantidade de sólidos totais (MS). Ordenhar uma vez por dia aumentou a contagem de células somáticas ao longo do ano em ambas as raças.

Alguns autores recomendam, para produções de vacas em torno de 30 litros, a realização de três ordenhas diárias, eles argumentam que essa mudança pode incrementar a produção de leite, porém pode não ser muito relevante, e sim, um fator operacional que pode explicar um maior tempo da vaca em lactação.

Vale lembrar que, toda mudança relacionada a manejo tem que ter um bom planejamento, e o simples fato da prática dessa ordenha adicional proporcionaria mudanças no dia-a-dia da atividade e na fisiologia dos animais. Dessa forma, é fundamental avaliar o custo/beneficio dessa mudança na hora de decidir adotar por essa ordenha adicional.

O tamanho do rebanho e o potencial produtivo são pontos de partida para estimar o incremento na produção de leite e possível receita. Outro fator de extrema importância é o adicional de mão-de-obra, pois com a adição de outra ordenha haverá aumento de serviço na propriedade e possível necessidade de uma nova contratação.

A Alimentação do rebanho é outro fator muito importante. Com a adição de mais ordenhas se tem o incremento na produção sendo necessária maior atenção em relação à dieta dos animais. Sabendo que quanto maior a produção de uma vaca, maior será o consumo de alimentos para suprir suas necessidades. Para exemplificar com cálculo, a cada três litros de leite produzido a mais deve haver um incremento na dieta de um quilo de concentrado, e sabemos que esses apresentam um custo de mercado maior em relação ao volumoso.

Portanto, é importante que uma boa acessória técnica esteja junto ao produtor para avaliar bem essa questão na adição de mais ordenhas, verificando se com o incremento na produção provocado pela ordenha adicional torna viável o emprego desse manejo.


Referências:

CLARCK, D. A. et al. A systems comparasion of once versus twice daily milking of pastured dairy cows. Journal of Dairy Science, 89:1854-1862, 2006

OLIVEIRA, J.P. Uma, duas ou três, quantas vezes as vacas devem ser ordenhadas? Conheça as vantagens e desvantagens associadas ao aumento do número de ordenhas.

MENDES, J. Produção Higiênica do Leite - Equipamento de ordenha e tanques de resfriamento de leite. http://www.interural.com/interna.php?referencia=revistas&materia=394, acesso em 08/04/2010.

CAMINHA, F.O.; GONÇALVES, A.C. Quando aumentar o número de Ordenhas.

terça-feira, 13 de abril de 2010

A MELHOR RAÇA PARA A PECUÁRIA DE CORTE

Gabriela Ferreira

Gabrielle Calocci Ghirardelli

Para iniciar uma produção de gado de corte, antes de escolher uma raça bovina é necessário pensar em vários aspectos. Primeiramente, analisar o local de sua propriedade, pesquisar se na região existe empresas especializadas em insumos e indústria frigorífica para abate e comercialização de sua produção. Verificar também o clima predominante, a área para pastagem e quais são os alimentos disponíveis para compra na região. Assim, é possível fazer uma analise da viabilidade econômica do local, para evitar, ou então diminuir problemas futuros e conseguir um resultado positivo nas condições existentes.

Posteriormente, saber qual seu objetivo de criação, se somente comercial ou de gado de elite, para assim, estabelecer um sistema de produção apropriado para cada situação. Para gado de elite necessitaria de um alto investimento, visto que é um animal com grande potencial genético para produção, portanto, necessitam de um tratamento especializado e com alto nível tecnológico.

Para gado comercial iniciando desde sua cria, por exemplo, devemos pensar na aquisição de matrizes férteis e longevas, com precocidade sexual e habilidade materna, para gerar e oferecer cuidados necessários ao animal recém nascido, para poder crescer saudável e chegar à terminação o mais breve possível.

Assim, o produtor que deseja manter a qualidade e produtividade de seu rebanho tem que estar ciente de todo o processo que envolve sua produção, pensando sempre em aumentar o nível tecnológico, investindo em manejo, nutrição, reprodução e genética. Dessa forma, conforme a intenção de investimento do produtor, se estabelece qual sistema de produção é melhor para seu inicio, como sistema intensivo, semi-intensivo ou extensivo.

Diante dessa pré-avaliação pode-se estabelecer não o melhor animal, mais sim o que se adapta melhor a situação e intenção do produtor. Portanto, se for uma região onde o clima é subtropical, mais ao sul do Brasil, uma raça européia, com boa genética sob manejo adequado, estes obteriam desempenho para produção de carne de forma significativa. Em clima mais quente e extensivo, as raças zebuínas seriam as raças mais adequadas, por serem mais adaptadas. No entanto, não só de raça pura um rebanho pode ser constituído, animais cruzados trazem bom desempenho (da raça européia) aliado à rusticidade (da raça zebuína) em sistemas com menor nível de manejo.

Por fim, a raça mais criada hoje no Brasil é o Nelore, visto que mais de 80% do gado nacional é dessa raça ou cruzada com a mesma. Isto evidencia a necessidade de adaptação à maioria dos nossos sistemas de criação, que no Brasil, tem uma grande diversidade de sistemas de produção e níveis tecnológicos empregados.