Marco Vinícius Ferreira
Roana Lourenço Ferreira
PERGUNTAMOS PARA... Raul Lara Resende de Carneiro - Gerente do Gestor Leite (Dairy breeding manager)
O cruzamento entre Jersey X Holandês possui a vantagem de maior produção de leite e sólidos. Quais as desvantagens nesse cruzamento? Qual seria o melhor cruzamento visando maior produção de leite e sólidos nos programas de melhoramento genético atuais?
O objetivo de cruzamentos é o de explorar os efeitos da heterozigose. São muitas as vantagens de se trabalhar com cruzamentos, contudo, o mais importante na minha opinião é a consciência muito clara do produtor quanto ao tipo de cruzamento que irá fazer, o ambiente do sistema de produção, se o cruzamento desejado está alinhado com suas necessidades e principalmente a programação das ações de cruzamento para que o rebanho não vire uma miscelânea desordenada em um médio prazo.
Infelizmente não há uma receita sobre cruzamentos. O que sugiro ser feito é avaliar o ambiente de produção e se estudar cautelosamente o tipo de genética que melhor possa responder nesse ambiente. Inclusive avaliar a liquidez do tipo de animal gerado, que pode se desvalorizar muito no mercado no momento de venda.
Na minha modesta opinião, o melhor cruzamento visando o aumento de leite e sólidos seria o cruzamento que vise ganhos aditivos, principalmente. Obviamente respeitando as necessidades e tipos de cada sistema de produção. Temos situações, por exemplo, de clientes participantes do Gestor Leite que trabalham com a raça Holandesa e possuem níveis médios de 3,4% de proteína e 3,9% de gordura, com elevadas médias de leite.
Pensar em produção é importante, mas produção sem funcionalidade causa reduções em longevidade e aumento de custos. Um cruzamento, seja entre raças ou dentro de raças puras deve levar isso em conta.
Sobre o cruzamento HO x JE, o que tenho observado a campo é a necessidade de atenção para aspectos de biotipo, especialmente relacionado a úberes, que “desmancham” se não houver atenção e planejamento quanto ao tipo de cruzamento, a fração racial e a genética utilizada.
NOSSO COMENTÁRIO...
Segundo Junio Cezar Martinez do site milkpoint “Em 1995, pesquisadores já alertavam que vacas Jersey estariam mais susceptíveis a desordens metabólicas e infertilidades devido ao "stress" causado pela busca de alto desempenho individual para produção de leite. Isso tem causado certa preocupação no meio científico, visto que os sistemas mecanísticos atuais utilizados para balanceamento de dieta, na opinião de alguns pesquisadores, a exemplo do NRC (2001), muito utilizado para formulação de ração, não possuem recomendações atualizadas devido a falta de pesquisa comparando a fisiologia digestiva e nutrição das modernas vacas Jersey e Holandesas.”
Já o eng. agrônomo Jozivaldo Prudêncio Gomes de Morais, professor da UFSCar-Universidade Federal de São Carlos, campus de Araras-SP em entrevista na revista Balde Branco de 19/03/2012, diz: “A principal restrição que aponta é quanto aos sistemas de free-stall, isto porque possuem custos mais elevados e demandam maiores volumes de produção, além dos problemas de úbere que podem surgir, já que “as cruzadas não têm um úbere tão bom como as holandesas”.
Assim, podemos dizer que, se adotarmos um manejo sanitário, reprodutivo e alimentar correto e adaptado o mais próximo possível à realidade dos produtores e exigências dos animais, minimizaremos consideravelmente as desvantagens, tornando – as insignificativas.
Já em relação ao melhor cruzamento, verificamos na mesma reportagem da revista Balde Branco, que teve vários entrevistados, a aposta brasileira na junção de outras raças como: Gir leiteiro x Jersey (Girsey), Girolando x Jersey, além dos tradicionais Gir x Holandês (Girolando) e Jersey x Holandês (Jersolando), que apresentam bons níveis de produção, ficando a critério do produtor a escolha do cruzamento preferido.
 |
| Girsey |
 |
| Girolando x Jersey |
 |
| Jersolando |