Camille Bergamo
Izabelle Barbosa
Os sistemas de produção de carne bovina têm buscado investir em novas tecnologias para aprimorar a obtenção de um produto de melhor qualidade em menor tempo e de forma economicamente viável, sem desrespeitar as normas ambientais vigentes. Sendo que nos últimos anos ,importantes avanços tecnológicos foram obtidos pela cadeia produtiva da carne bovina, tanto dentro quanto fora da porteira. Considerando-se tecnologias na área de nutrição animal, pode-se destacar o desenvolvimento da prática da suplementação proteica na época seca do ano ou o uso do confinamento estratégico buscando a intensificação de produção. Para a formulação de dietas diversas tecnologias estão sendo empregadas como os ionóforos e outros promotores do crescimento, com grande destaque, pelo menos nos últimos anos, para os beta-agonistas dentre eles a Ractopamina.
No Brasil a utilização de beta-agonistas para a suinocultura já é permitida a dez anos pelo ministério da agricultura, pecuária, abastecimento (MAPA), mas recentemente a utilização dos beta-agonistas no Brasil foi liberada e registrada junto ao MAPA destacando-se a ractopamina e o zilpaterol, cujos nomes comerciais são Optaflexx e Zimax, respectivamente. Ambos são liberados para uso na fase final de terminação, sendo que o período de fornecimento ótimo, em que a resposta é máxima, seria nos últimos 28-35 dias da terminação, para a ractopamina, e 20 dias para o zilpaterol.
Quem acompanha as atualidades do mundo da carne, sabe que as negociações do mercado entre os Estados Unidos e a Rússia andam abalado. Pois a Rússia é um dos países que adota a tolerância zero ao uso de Ractopamina na carne, por sua vez, a China também suspendeu a comercialização de carne dos EUA, por conter vestígios de ractopamina da carne de suínos. A decisão de tolerância zero a esse medicamento abrange 160 países contra 26 que permitem certo limite desse medicamento na carne.
A ractopamina é um agonista β-adrenérgico. Agonista ou simpatomiméticos farmacologicamente são agentes que facilitam ou mimetizam a ativação do Sistema Nervoso Autônomo Simpático (SNAs). Classificando-se em: simpatomiméticos de ação direta, onde, todos os agentes atuam diretamente nos receptores adrenérgicos. E os simpatomiméticos de ação indireta, atuando principalmente na liberação de noradrenalina ou em sua inibição.
A ractopamina sendo classificada como um agonista beta-adrenérgico, que age no metabolismo animal, inibindo a lipogênese, estimulando a lipólise e retendo o nitrogênio, ocasionando aumento na síntese protéica (Miyada, 1996).
Agonistas segundo FIEMS (1987) é um composto sintético no qual se liga a receptores orgânicos, tendo uma ação mais potente que o mediador endógeno. Logo, os adrenérgicos são pertencentes a classe dos receptores que estão diretamente ligados a proteína G, alvos da catecolaminas. Que por sua vez são ativados por seus ligantes endógenos a epinefrina e norepinefrina. Os receptores adrenérgicos estão presentes e muitas células, e a ligação de agonistas causam uma resposta simpática, a ractopamina é utilizada como um aditivo nas rações de bovinos e suínos. Esse agonista β-adrenérgico pormove uma maior conversão alimentar, aumento no ganho de peso diário e menor ingestão de matéria seca.
O uso desse agonista β-adrenérgico, também proporciona maior rendimento de carcaça, aumento de peso e área de olho de lombo, diminuição da espessura de gordura subcutânea e intramuscular.
Como tudo que tem seus prós, existe o contra, o uso de agonista β-adrenérgico, aumentou a força de cisalhamento, segundos estudos e pesquisas feitas, gerando uma carne com menos maciez, prejudicando a sua palatabilidade. Isto é, devido à diminuição da quantidade de gordura depositada intramuscular e pelo fato de que um dos mecanismos de ação dos beta-agonistas é diminuir a degradação proteica, pois é atingido através do aumento da expressão e da atividade da enzima calpastatina, que está diretamente ligada à maciez de carne.
Por agirem de diferentes formas na célula, os simpatomiméticos, podem apresentar efeitos colaterais, produzindo uma estimulação excessiva da musculatura cardíaca, produzindo taquicardíaco e mesmo fibrilação ventricular, levando o animal a óbito.
A Rússia por sua vez alega que vestígios de ractopamina na carne podem causar mudanças a quem ingeri-la. Onde, pessoas com doenças cardíacas que utilizam medicamentos com efeitos opostos a dos agonista β-adrenérgico, pode-se acarretar em interação medicamentosa. Sendo estas pessoas as de maiores riscos.
Fonte:
SOUZA, A.A. Efeitos da utilização de agonistas beta-adrenérgicos no desempenho e características de carcaça de bovinos de corte confinados. Postado em 18/01/2007:
http://www.beefpoint.com.br/EUA: exportações continuam suspensas pela Rússia devido à ractopamina. Postado em 14/03/2013: http://www.beefpoint.com.br/
PFLANZER, S. B.; FELÍCIO, P. E. Beta-agonistas: o que são e como funcionam na produção de carne bovina. Postado em 19/02/2013: http://www.beefpoint.com.br/
MAPA: ractopamina será aceita com limite máximo. Postado em 09/07/2012: http://www.beefpoint.com.br/
Referencias bibliográficas:
SPINOSA,H.S.; GÓRNIAK,S.L.; BERNARDI, M.M. Farmacologia aplicada à medicina veterinária. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A, 1996. p. 64-67
HAESE, D.; BϋNZEN, S., Ractopanima, Revista Eletrônica Nutitime, v.2, nº2, p. 176-182, março/abril de 2005.
AGOSTINI, P.S., et al., Efeitos da ractopamina na performance e na fisiologia do suíno. Universidade Estadual de Londrina. Centro de Ciências Agrarias. Departamento de Zootecnia. Londrina PR. Brasil. Universidade Estadual de Maringá. Centro de Ciências Exatas. Departamento de Química. Maringá PR. Brasil.
WALKER, D.K., Effect of ractopamine on growth in cattle. Department of Animal Sciences and Industry College of Agriculture, Kansas State University, Manhattan, Kansas, 2008.
RAMOS, F.; SILVEIRA, M.I.N. Agonista adrenérgico β₂ e produção animal: III-Efeitos zootécnicos e qualidade da carne. Revista Portuguesa de Ciências Veterinárias. Centro de Estudos Farmacêuticos da FCT-Laboratório de Bromatologia, Hidrologia e Nutrição Faculdade de Farmácia Universidade de Coimbra, 3000-295 Coimbra.
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O mais triste com relação a isso é que a única coisa importante na utilização desses "venenos" é o ganho financeiro do produtor. Nem se cogita a realização de estudos sobre a saúde do consumidor. Isso é lamentável, pois a imensa maioria da população consome a carne imaginando ser algo saudável,e nem imagina que com essa atitude está denegrindo sua saúde.
ResponderExcluirEsse agonista beta-adrenérgico pode causar tremores, taquicardia e outros problemas menores. à sim pesquisas que apontam que fazem mal ao sistema cardiovascular e endócrino, mas infelizmente tudo é abafado pelos grandes frigoríficos :)
ResponderExcluirBeta-adrenergicos são sim um problema se encontrados em quantidades fisiologicas. O que não acontece com os produtos adequadamente inspecionados, cuja utilização de promotores de crescimento foi feita para se aprimorar o ganho e/ou qualidade da carne. aqui nos EUA esses produtos sao usados há anos, e são os mesmos (inclusive dos mesmos fabricantes) do Brasil. se houvesse risco a saúde, eles com certeza não seriam liberados
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