Camille Bergamo
Uma grande preocupação, ou deveria ser, do pecuarista
leiteiro é a sanidade de seu rebanho, principalmente por acarretar na
diminuição do volume de leite produzido. Podemos
nomear a principal “dor de cabeça” sanitária como mastite ou mamite, doença que
pode ser causada por mais de 140 agentes, incluindo bactérias, fungos, vírus e
algas, que se instalam no interior da glândula mamária da vaca.
A mastite pode ser subdividida em: mastite
contagiosa ou mastite ambiental, segundo sua forma de transmissão, e mastite
clínica ou mastite subclínica, de acordo com a apresentação dos sinais
clínicos.
Sua diferenciação é muito complicada, devido
à grande variedade de microrganismos causadores da doença, mas cada
divisão da mastite apresenta um quadro de sintomas, que com isso, acabam agindo
como um guia para o seu diagnóstico.
Dentre os sintomas mais comuns e visíveis podemos
citar: anormalidades na secreção do leite (presença de grumos), alteração no
tamanho, na temperatura e na consistência do teto. Com a palpação do quarto
mamário, é possível verificar a presença de dor no local e uma observação
mais precisa das anormalidades que a doença causa no teto infectado, podendo
aparecer formação de fibrose, edema e atrofia. O animal pode apresentar também,
sintomas mais complexos, como febre, toxemia, taquicardia, entre outros.
Com toda essa complexidade, o maior desafio que a
mastite causa ao produtor é a sua identificação. Na mastite clínica
pode-se fazer testes indiretos, dentre os quais destaca-se principalmente o
teste da caneca de fundo preto, que pode ser feito no momento da ordenha para a
identificação do quarto afetado.
Já na mastite sublínica, devido a sua falta
de sintomas visíveis, ocorre à necessidade do diagnóstico ser feito
laboratorialmente através de CCS (Contagem de células somáticas) ou mesmo
na sala de ordenha com o CMT (Californian Mastitis Test).
Atualmente, devido ao avanço dos estudos, a
identificação da mastite Subclínica pode ser feita através de um novo teste de
células brancas o MLD (diferencial de
leucócitos), onde com a identificação e contagem de três leucócitos
primários diferentes, o teste logo indica se o animal possui a doença antes
mesmo do aparecimento de seus sintomas.
O tratamento da mastite ou mamite pode ser feito
por antimicrobianos para controlar a reação sistêmica. Mas, nem sempre
haverá a cura total da glândula infectada pelo microrganismo. O produtor deve
ter como hábito uma série de cuidados sanitários, higiênicos e de manejo, para
que a doença não se prolifere no rebanho.
A mastite bovina é a doença que mais gera
perdas econômicas no ramo da cadeia produtiva de leite, por isso é necessário
alertar o produtor que o ditado “melhor prevenir do que remediar”
aplica-se muito bem para evitar perdas econômicas e produtivas na pecuária
leiteira.
Então, fique atento, cuide bem do seu rebanho e
faça o manejo adequado com toda segurança e precaução possível, o que inclui
muito rigor na higiene do ambiente e no manejo antes, durante e após a ordenha.
Com a consulta de profissional da área, como zootecnistas, pode-se obter boa
orientação.
Assim, as vacas não sofrerão no teto, e os produtores
não sofrerão no bolso!

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