Amanda Nogueira Matias
Carolina Bilia Chimello Luz
A pecuária leiteira nasceu em 1532 no Brasil, quando a expedição de Martim Afonso de Souza trouxe da Europa os primeiros bovinos para a colônia portuguesa, precisamente para a vila de São Vicente. Nestes quase cinco séculos de existência, a atividade caminhou lentamente, sem grandes evoluções tecnológicas. A partir de 1950, coincidindo com o surto da industrialização do país, a pecuária leiteira entra na sua fase dita moderna, mas mesmo assim o progresso continuou muito tímido, não se verificando nada de estrondoso que mudasse radicalmente o seu status (Rubez, 2003).
Historicamente, a pecuária leiteira no Brasil foi caracterizada pela baixa produtividade dos fatores de produção (terra, mão-de-obra e capital). Essa característica, somada à alta sazonalidade da oferta e à falta de qualidade do leite in natura, colocava o país no rol dos atrasados em produção leiteira (Netto & Gomes, 2010).
Nos últimos 10 anos, a produção leiteira apresentou um aumento de 40% atingindo valores superiores a 26 bilhões de toneladas e mesmo diante desse aumento, a obtenção de litros/vaca/ano nas propriedades continua sendo baixa comparada a outros países como Estados Unidos, Canadá e Países Baixos (Embrapa, 2009).
Atualmente, o Brasil apresenta o terceiro maior rebanho leiteiro do mundo com 17 milhões de vacas e também o sexto lugar em produção mundial de leite com 30 bilhões L/ano, ficando atrás dos Estados Unidos, União Européia, China, Rússia e Índia (Anualpec, 2009).
Em todo território nacional é praticada a pecuária leiteira, devido a condições edafoclimáticas que permitem adaptações dessa atividade no país, porém em alguns estados ela se encontra com maior evidência por causa de sua maior produtividade, dentre elas: Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo (Santos et al., 2005).
Os principais fatores que afetam a produtividade leiteira são: genética, manejo e sanidade.
A genética assume um papel importante, pois através de animais especializados é possível obter os melhores resultados em relação à produção e duração da lactação.
O manejo alimentar está intimamente relacionado com o nível de produção individual das vacas, pois quanto melhor a nutrição, mais provável a maior produção de leite pelo animal, lembrando que quanto maior o potencial genético da vaca, mais estas são exigentes em relação à dieta.
Conhecer também a ordem da lactação (que nos permite saber a longevidade de uma vaca), lembrando que quanto mais nova a vaca, menos leite ela produzirá, aumentando a cada lactação, o período de parição (secas ou nas águas), a idade ao primeiro parto, sendo que quanto mais nova ela entrar em período de reprodução, maior será o número de crias geradas ao longo da sua vida reprodutiva e, o intervalo entre partos também são fatores importantes para aumentar a eficiência produtiva das vacas.
Portanto, a vaca leiteira é uma unidade produtora que deve trabalhar de maneira intensa, e qualquer problema que modifique o seu metabolismo terá reflexos consideráveis na economia do sistema. No entanto, quando se adquire um animal para fins reprodutivos, deve-se tomar certos cuidados relacionados a sanidade do mesmo e também de todo rebanho, com o objetivo de eliminar doenças e parasitas que impeçam que isso aconteça (Peixoto et al., 2000).
Com isso, o Brasil reúne todas as condições ideais para alcançar a maior plataforma mundial de produtora e exportadora de leite, seja qual for o sistema de produção. Temos 2 mil horas/luz/ano, contra mil horas do hemisfério norte, 100 milhões de hectares agriculturáveis e ainda virgens, 20% das reservas de água doce do mundo, o maior rebanho bovino do planeta, e, uma vontade louca de crescer (Rubez, 2003).
Referências:
ANUALPEC. Anuário da Pecuária Brasileira. Instituto: FNP. 2009
EMBRAPA, 2009. Disponível em:
. Acesso em: 03 mar. 2010.
NETTO, V.N., GOMES, A.T. Especialização da pecuária leiteira. Disponível em: . Acesso em: 10 mar. 2010,
PEIXOTO, A.M ; MOURA, J.C; FARIA, V.P. Bovinocultura Leiteira. Piracicaba: Fealq, 2000. 3ª Ed, 5-19 p.
SANTOS, F. A. P.; MOURA, J. C.; FARIA, V. P.; Visão técnica e econômica da produção leiteira. Piracicaba: Fealq, 2005. 7-9 p.
RUBEZ, J. O Leite nos últimos 10 anos. Disponível em: . Acesso em 09 mar. 2010.
RUBEZ, J. A vontade louca do leite de crescer. Disponível em: . Acesso em 10 mar. 2010.