Paulo Cesar de Oliveira
PERGUNTAMOS PARA...
Dr. Ricardo Dias Signoretti – Pesquisador Cientifico APTA – Colina/Engenheiro Agrônomo – Mestrado em Zootecnia – Produção de bovinos leiteiros/ Doutorado em Zootecnia – Nutrição de Ruminantes
Que mudanças devem ser feitas nos sistemas de produção da pecuária leiteira com o objetivo de melhorar a valorização do leite e aumentar a produtividade do setor? Quais as expectativas futuras para o mercado do leite?
O leite é um alimento fundamental na dieta da população devido suas propriedades nutritivas. O produtor deve trabalhar dentro de um sistema organizado de produção, fazendo uso de metodologias, aplicando-as no campo. Um bom exemplo é a manutenção da sanidade nos rebanhos mediante vacinação, manejo adequado, e principalmente alimentação, pois grande parte da qualidade do leite é refletida através da qualidade do alimento que o animal ingere, pois com uma dieta balanceada o produtor consegue atender as exigências nutricionais do animal conseguindo aproveitamento máximo de produção, juntamente com a genética.
Atualmente a indústria paga ao produtor pelo valor biológico do leite, e por ser um produto muito perecível o sistema de produção não pode cometer falhas, pois estas refletirão economicamente na propriedade, assim gerando prejuízos tanto para o produtor quanto pra sociedade que consumirá leite de má qualidade.
Gordura e proteína são os dois elementos essenciais que as cooperativas e empresas bonificam a propriedade. Através da alimentação o produtor consegue atingir boa composição do leite, e no momento que o leite entra no mercado com componentes em quantidades satisfatórias o produtor é compensado recebendo pelo seu trabalho e pela freqüência com que atingiu as metas exigidas pelo mercado.
Uma forma de atingir uma alta produtividade em propriedades leiteiras é aproveitar melhor a área, principalmente no caso de pastagem, pois esta é a fonte alimentar mais econômica. Dessa forma, deve-se investir no solo realizando adubações e irrigações, esta última, dependendo do tamanho da área, pois pode se tornar um investimento oneroso quando em áreas muito grandes, por isso também deve-se dar importância na escolha da forragem mais adequada pra as condições climáticas onde será plantada.
Um dos fatores mais prejudiciais na produção leiteira é a doença infecciosa mais conhecida como Mastite que gera um prejuízo de bilhões de dólares, pelo descarte do leite e custos com tratamento dos animais e depreciação da qualidade. Como a qualidade do leite é fundamental e essencial para o mercado nacional e internacional, dentro da cadeia produtiva do leite todos os processos devem ser seguidos rigorosamente de maneira correta para que o produtor e o consumidor fiquem satisfeitos com o produto obtido. A melhor forma de alcançar os níveis de exigência do mercado é através da prevenção, ou seja, o produtor rural deve seguir o velho ditado popular “melhor prevenir que remediar”, pois a prevenção é a forma mais viável e econômica, e a maneira mais inteligente de se evitar futuros problemas na produção.
Constantes análises são realizadas para conferência da qualidade do leite, e apontam onde o produtor está cometendo falhas no seu sistema de produção, e a partir disso, soluções dos problemas podem ser encontradas, como por exemplo, um mau resfriamento do leite que promove sua deteriorização, uma má alimentação fornecida que gera rendimentos ruins do leite como no caso de gorduras e proteínas, manejo inadequado realizado pela mão de obra que não foi capacitada de forma correta, etc. Ultimamente para melhor monitoramento da atividade está se usando a rastreabilidade, e este melhor controle zootécnico dos animais oferece mais credibilidade ao produto.
A conscientização do produtor rural é primordial, pois a adesão às boas prática amplia a disseminação da informação para que outros produtores também se conscientizem futuramente, pois além da produção de alimento, preocupar-se com desenvolvimento da pecuária leiteira também gera reflexos sociais positivos, pois emprega muitas pessoas direta e indiretamente, portanto é uma atividade que só tem a expandir na agropecuária.
NOSSO COMENTÁRIO...
Diante dos fatos analisados conclui-se que o Brasil tem uma grande capacidade produtiva no setor lácteo, porém não expressa seu potencial máximo de produção, pois há deficiências envolvendo a atividade. Observamos que para se obter produtividade não é necessário ter um número elevado de animais mais sim fazer uso de metodologias e tecnologias atuais e compatíveis com o objetivo de se obter maior produção com qualidade no sistema de produção leiteiro.
Conclui-se que um leite de boa qualidade gera sustentabilidade da produção, competitividade do produto no mercado consumidor e lucratividade para o produtor.

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