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sábado, 14 de abril de 2012

Quer começar produzir leite...


Felipe Augusto Ramalho Spironello



PERGUNTOU PARA... Sr. Osmar Bento – Proprietário e Produtor de leite da Fazenda Boa Esperança – Taquaral-SP


Quais as recomendações importantes para quem gostaria de iniciar um sistema de produção de leite em sua propriedade?


Hoje em dia, o foco maior da produção de leite está voltado para o consumo de grandes empresas, não é mais aquele sistema de antigamente, onde você vendia diretamente seu leite ao consumidor final. Tendo em vista esse processo de mudanças, de rigorosas exigências de mercado, produtores de pequeno e médio porte optam por usar cooperativas ou vender seu produto para empresas que vão regulamentar e processar o produto para que se adeque às normas e exigências de mercado. Para o futuro empreendedor do setor leiteiro, o que se recomenda hoje em dia é: primeiro, definir a dimensão da produção, segundo, definir qual sistema irá adotar (extensivo ou intensivo), terceiro, analisar a condição fiscal para investimento em instalações, por último, e não menos importante, deve-se focar no nível e qualidade da produção, para que se agreguem valores ao seu produto final. Atualmente o rastreamento do animal, a higiene, as instalações e até mesmo mão de obra qualificada ou especializada tem pesado e muito na qualidade do produto e preço final, haja visto que o mercado para o leite, sofre oscilações muito grandes, então, recomenda-se estar sempre preparado e bem estruturado para momentos em que o leite tenha seu preço reduzido, épocas em que se deve fazer o manejo adequado das vacas, rotação de pastagens no caso extensivo, balanceamento de alimento ou até mesmo a troca deles por conta da sazonalidade e preço, à fim de, manter os preços bons e os custos na mesma margem.


COMENTÁRIOS...

O entrevistado nos fala sobre o planejamento total caso haja interesse em iniciar-se na produção de leite, no entanto podemos também adicionar itens de planejamento como: compra e definição de raça de acordo com a região, disponibilidade de alimentos, insumos, projetos de medidas de contenção e prevenção de patologias virais/bacterianas, logistica (transporte e comercialização), por fim, a cada detalhe, menos uma surpresa!!!   

Por que Nelore x Angus ?


Letícia Leal

Marco Vinícius Ferreira


PERGUNTAMOS PARA...

Pfrof. Dr. Raul Dirceu Pazdiora -  médico veterinário, Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal (FACIMED)


Por que o cruzamento da raça bovina Angus com zebuínos está sendo muito utilizado no Brasil ?

A busca por maior produtividade na pecuária de corte fez com que o produtor intensificasse a utilização do cruzamento. E neste caminho a utilização do cruzamento industrial com animais da raça Angus com vacas zebuínas e principalmente da raça Nelore, vem sendo empregado com maior intensidade em relação aos demais. Os índices demonstram que para cada 5 bezerros que nascem do cruzamento entre diferentes raças, 4 bezerros são com a utilização da raça Angus, isto demonstra a importância e o sucesso deste cruzamento. E esta grande preferência por este cruzamento se deve as características que se complementam entre a rusticidade e adaptabilidade ao clima tropical dos animais da raça nelore e a precocidade, fertilidade, qualidade da carcaça e da carne dos animais da raça Angus, atendendo o exigente mercado da carne. Além disso, a fêmea meio sangue pode ser excelente matriz para reposição de plantéis por sua precocidade, fertilidade e habilidade materna.

Animais cruzados respondem melhor em confinamento que animais da raça Nelore, por apresentar maior adaptabilidade a esta condição, principalmente em dietas com alto grão e maior consumo de matéria seca gerando maior ganho de peso de forma muito eficiente. Com este cruzamento pode-se obter ganhos superiores de até 25% no desempenho através da heterose. No entanto, por serem animais mais produtivos precisam de condições para poder expressar todo o seu potencial genético, principalmente relacionado à condição nutricional.

O mercado da raça Angus esta em alta, por se destacar em várias características, principalmente pela qualidade da carne. Isto pode ser visualizado pelo aumento na comercialização de doses de sêmen da raça Angus, com a ajuda da técnica da inseminação artificial em tempo fixo (IATF) que facilita a utilização da inseminação artificial. Com isso, o produtor pode utilizar material genético superior e evitar os problemas da monta natural com animais angus em condições tropicais. Nesta situação, o desempenho de animais puros é comprometido pelas condições climáticas e nutricionais e isto faz com que a maior quantidade destes animais puros são criados na região Sul. Além da qualidade da carne, as fêmeas da raça Angus apresentam excelente fertilidade, longevidade, precocidade, facilidade de parto e habilidade materna tendo uma representação muito importante no rebanho da região Sul.

Além dos pontos já discutidos, a associação da raça Angus tem importância muito grande por promove forte marketing em cima destes pontos. E alguns frigoríficos, visualizando vantagens pela qualidade deste produto, premiam produtores que entregam animais puros ou cruzados, e isto só faz crescer esta raça.



NOSSO COMENTÁRIO...

O cruzamento industrial mais apreciado atualmente no Brasil é o de zebuínos Nelore com europeu Angus. Devido o resultado deste cruyamento apresentar grande desempenho prático, como acabamento, deposição de gordura, excelente precocidade e adaptabilidade ao clima tropical (temperatura e presença de ectoparasitas), e ainda, dentro da indústria frigorífica, tornam-se referencia no quesito de maciez da carne.

O produtor ganha muito na questão de precocidade, aumentando a velocidade de giro e terminação desses animais. Um abate mais precoce, de um animal mais jovem, conseqüentemente de melhor qualidade. Nem todos os frigoríficos remuneram de acordo com a qualidade animal, mas já existem alguns que apresentam projetos de parcerias gerrando lucro ao produtor que se adequa à essa produção...isso é o passo para a melhoria da eficiência dos rebanhos brasileiros. 



domingo, 8 de abril de 2012

Entrevista: Somatotropina Bovina

Bruno Zucca Cassilhas

Rafael Ferreira Gomes


PERGUNTAMOS PARA... Paulo Henrique Queiroz-Proprietário e Zootecnista da Empresa Nutritaurus Rações e Minerais.


Qual o impacto da utilização da Somatotropina bovina (bST) sobre a produção de leite?


O hormônio de crescimento (GH), conhecido também com hormônio Somatotropina (ST), é uma pequena molécula proteica.

A ST é produzida na Adeno-hipófise que está localizada na base do cérebro dos animais, causa crescimento de todos tecidos corporais que apresentam essa capacidade, promovendo tanto o aumento do tamanho das células como o aumento do número de mitoses, favorecendo com isso o surgimento de números maiores de células. É o principal regulador do crescimento em mamíferos e tem efeito único no desenvolvimento da glândula mamária e na lactação. Quando realizaram a primeira pesquisa com (bST) em vacas em lactação, pesquisadores demonstraram que as vacas injetadas com extratos da glândula pituitária (a hipófise) de outros bovinos abatidos representavam aumento na produção de leite.

Na década de oitenta, com a evolução da biotecnologia, a qual envolve a tecnologia de DNA recombinante, tornou-se possível produzir, a partir de genes removidos de bovinos e inseridos em plasmídeos da bactéria Escherichia coli, a somatotropina bovina, conhecida como somatotropina recombinante (RBST), podendo ser controlada em condições laboratoriais e produzida em escala industrial, o que tornou possível sua utilização comercial.

O efeito da Somatotropina sobre a produção de leite aumenta a produção de leite por animal e a utilização do (bST) depende das condições de manejo e alimentação serem adequadas. Animais não adequadamente abrigados, sujeitos a condições ambientais e de manejo capazes de restringir o consumo de alimentos, recebendo formulações dietéticas capazes de limitar o consumo de nutrientes ou sujeitos a algum tipo de restrição alimentar podem ter resposta produtiva comprometida, sendo relatado que a produtividade é maior em propriedades onde o manejo é superior.

Em estudos com vacas da raça holandesa demostraram valores consideráveis no aumento da produtividade que variaram de 3 a 40% (correspondente a 2 a 5 kg de leite por dia) para animais que receberam tratamento com (bST) durante período pré e pós-parto e prolongamento a persistência da lactação.


NOSSO COMENTÁRIO...

A utilização da tecnologia da bST exerce influência na produção de leite, sendo que os animais que recebem maior número de aplicações do hormônio apresentam maiores médias na produção. Assim a aplicação de bST pode ser uma ferramenta importante no que se refere a elevação da produção de leite, sem afetar a avaliação genética.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Entrevista: Composição do leite

Luana A. Vacondio

Lucas A. Souza


PERGUNTAMOS PARA... Dr. Ricardo Dias Signoretti - Pesquisador Científico do PTA - Colina - SP


Quais fatores podem interferir na produção leiteira de cada vaca e alterar a composição do leite?


O fator nutricional ligado à qualidade do leite refere-se ao seu valor nutritivo, ou seja, sua composição nutricional.

Não há relação simples e direta entre os componentes da dieta e os componentes sintetizados no leite, de forma quando se aumentar um nutriente em particular na dieta não há necessariamente um aumento correspondente na secreção de um componente similar no leite. Por exemplo, o aumento no teor de proteína da dieta, mantendo-se o nível de energia, tem pouco ou nenhum efeito sobre a proteína do leite.

Da mesma forma, a adição de gordura à dieta de vacas leiteiras geralmente reduz o teor de gordura do leite. Isso se dá pelas complexas transformações que os alimentos ingeridos sofrem no rúmen, pela influência dos hormônios, e pelas restrições fisiológicas e bioquímicas resultantes da forma como os sólidos do leite são sintetizados na glândula mamária.

Mudanças no teor de proteína do leite são possíveis pela manipulação da nutrição, mas numa magnitude bem inferior às alterações possíveis no teor de gordura, por uma série de razões. Em primeiro lugar porque a variação natural possível é bem menor, e também porque os fatores dietéticos que influenciam essa variável não são completamente conhecidos.


NOSSOS COMENTÁRIOS...

Além do manejo alimentar de vacas leiteiras, outros fatores podem influenciar a composição do leite, como o tipo racial, a estação do ano (referente a nutrição), o estresse (ex: calórico). O manejo também pode ter influência indireta nesta composição, pois as práticas diárias de ordenha e a higienização se relacionam com a mastite no rebanho, que quando presente interfere na produção quantitativa e qualitativa do leite.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Artur Faria Morales

Laura de Moraes Teixeira


PERGUNTAMOS PARA... Prof. Dr. Luciano Menezes Ferreira – Médico Veterinário - Docente do curso de Zootecnia UNIFEB

Como controlar a Contagem Bacteriana Total (CBT) e a Contagem de Células Somáticas (CCS) no leite de vacas?

A Contagem Bacteriana Total (CBT) pode ser influenciada principalmente por falhas no manejo higiênico-sanitário do rebanho e dos equipamentos envolvidos na obtenção do leite. Dentre os fatores que podem influenciar o aumento da CBT, destacam-se:

- ordenha de vacas com tetos sujos;

- deslizamento e queda de teteiras;

- falhas na limpeza dos equipamentos de ordenha (devem ser utilizados detergentes alcalino e ácido, conforme instruções da empresa, lembrando que deverão ser específicos para esse tipo de higienização);

- deficiência do resfriamento rápido do leite (deve ser mantido a 4 °C e, em casos de o leite recém ordenhado ser misturado ao resfriado, essa temperatura do conjunto deve ser atingida em, no máximo, 2 horas);

- mastite causada por coliformes, estreptococos ambientais e estafilococos coagulase negativa.

Em relação à Contagem de Células Somáticas (CCS), a mastite é a principal causa. Por isso, para que haja sua diminuição, é necessário implementar um bom programa de controle dessa enfermidade baseado nos itens a seguir:

- trabalho em equipe (produtor e funcionários);

- identificação e eliminação das infecções existentes (mastite clínica: deve ser realizado o teste da caneca telada ou da caneca de fundo preto diariamente com utilização de antibioticoterapia imediata nos casos positivos com o medicamento de rotina da propriedade, lembrando que o leite desses animais deve ser descartado. No entanto, antes do início desse tratamento, preconiza-se colheita e envio de amostra do leite ao laboratório para a identificação do microrganismo e, ainda, a obtenção de seu perfil de resistência aos antimicrobianos testados para a escolha do princípio a ser utilizado; mastite subclínica: realização de CMT – California Mastitis Test – quinzenalmente ou no mínimo 1x/mês, como auxílio de diagnóstico na identificação dos animais infectados, ordenhando-os por último; assim como o envio de amostras mensalmente a um laboratório credenciado para a análise da CCS).

- prevenção de novas infecções (lavagem dos tetos com água clorada, secando-os com papel toalha descartável; realização de pré e pós-dipping em todas as ordenhas; antibioticoterapia de vaca seca principalmente daquelas que apresentaram casos de mastite subclínica durante o período de lactação);

- monitoramento da saúde da glândula mamária.

Diante do exposto, é de suma importância que o produtor adote as medidas de controle higiênico-sanitário supracitadas a fim de evitar a contaminação do leite, seja por higiene inadequada dos equipamentos ou por falhas no controle da mastite. Com isso, é possível produzir um leite de boa qualidade que atenda aos padrões (CBT e CCS) exigidos na legislação brasileira vigente.


NOSSO COMENTÁRIO...

A fim de garantir a qualidade do leite produzido no Brasil, preconizada na IN 51 desde 2002. Em dezembro de 2011 foi publicado no Diário Oficial da União, na forma de IN 62, a atualização das regras para a qualidade do leite pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA). O novo texto visa garantir a continuidade da  implementação do regulamento da IN51, mas de forma mais gradativa, como estímulo ao produtor, além de incrementos no controle sanitário do rebanho e novas normatizações.


Laura Teixeira, Prof. Dr. Luciano Ferreira e Artur Morales
Roana Ferreira


Carlos Ueslei


PERGUNTAMOS PARA... Dr. Flávio Dutra Resende - Diretor Apta Regional Alta Mogiana, Colina SP

Quais as vantagens de se criar rebanho cruzado e rebanho de raça pura na bovinocultura de corte?

Segundo dados do IBGE o rebanho Brasileiro é composto por cerca de 180 milhões de cabeças, embora a SCOT Consultura estima o mesmo rebanho em 215 milhões. Deste total, grande parte é representado por rebanho zebuino onde a raça Nelore é predominante. A adoção de cruzamento em bovinos de corte é uma atividade relativamente recente onde se procura complementar os benefícios de cada raça. Assim, quando se cria raça pura, a seleção é baseada em características produtivas da raça, quer seja ganho de peso, acabamento de carcaça, peso de abate, adaptação ao meio ambiente, índices reprodutivos etc... Dificilmente se consegue selecionar numa determinada raça, todos estes atributos e assim o cruzamento entre raças é uma ferramenta que o produtor lança mão para complementar características produtivas de uma raça com a outra escolhida. Basicamente no Brasil, o que se usa como raça materna são fêmeas de origem zebuína, onde a raça Nelore é mais expressiva e como raça paterna animais de origem taurina (Origem britânica (Angus por exemplo) ou continental (Chianina), procurando-se com isso obter a heterose máxima, aproveitando-se a rusticidade do zebuíno com o potencial de ganho de peso do taurino. É importante ressaltar que, ao tomar esta decisão, o produtor terá um produto que será menos rústico e há a necessidade de melhoria de manejo da propriedade, tanto sanitária, nutricional e meio ambiente, pois caso contrário, os benefícios almejados não serão alcançados pois o animal não irá expressar o seu potencial para ganho e os índices produtivos serão menores.

Portanto, há vantagens e desvantagens de se criar raças puras e cruzadas e a estratégia a ser adotada dependerá dos investimentos que o produtor pretende fazer sempre pensando que quanto maior o grau de sangue de taurinos no rebanho, as condições ambientais deverão ser cada vez melhor. Hoje, com tecnologias como suplementação alimentar nas fases de cria, recria e terminação é possível abater animais zebuínos com até 24 meses de idade, com carne macia semelhante a de cruzamento industrial, porém no caso de cruzamento consegue-se abater animais mais jovens e se usar principalmente Angus no Cruzamento obter cortes carneos com maior marmoreio o que leva a uma maior maciez da carne. A decisão portanto é de mercado e cabe ao produtor negociar com os frigorificos um diferencial de preço por este tipo de carne que certamente é mais cara de ser produziada quando comparada a do zebuíno.


NOSSO COMENTÁRIO...
Fica evidente que a escolha da raça como pura ou cruzada depente do sistema de criação e seus objetivos, bem como todo o contexto da cadeia produtiva que envolve esta escolha.