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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Roana Ferreira


Carlos Ueslei


PERGUNTAMOS PARA... Dr. Flávio Dutra Resende - Diretor Apta Regional Alta Mogiana, Colina SP

Quais as vantagens de se criar rebanho cruzado e rebanho de raça pura na bovinocultura de corte?

Segundo dados do IBGE o rebanho Brasileiro é composto por cerca de 180 milhões de cabeças, embora a SCOT Consultura estima o mesmo rebanho em 215 milhões. Deste total, grande parte é representado por rebanho zebuino onde a raça Nelore é predominante. A adoção de cruzamento em bovinos de corte é uma atividade relativamente recente onde se procura complementar os benefícios de cada raça. Assim, quando se cria raça pura, a seleção é baseada em características produtivas da raça, quer seja ganho de peso, acabamento de carcaça, peso de abate, adaptação ao meio ambiente, índices reprodutivos etc... Dificilmente se consegue selecionar numa determinada raça, todos estes atributos e assim o cruzamento entre raças é uma ferramenta que o produtor lança mão para complementar características produtivas de uma raça com a outra escolhida. Basicamente no Brasil, o que se usa como raça materna são fêmeas de origem zebuína, onde a raça Nelore é mais expressiva e como raça paterna animais de origem taurina (Origem britânica (Angus por exemplo) ou continental (Chianina), procurando-se com isso obter a heterose máxima, aproveitando-se a rusticidade do zebuíno com o potencial de ganho de peso do taurino. É importante ressaltar que, ao tomar esta decisão, o produtor terá um produto que será menos rústico e há a necessidade de melhoria de manejo da propriedade, tanto sanitária, nutricional e meio ambiente, pois caso contrário, os benefícios almejados não serão alcançados pois o animal não irá expressar o seu potencial para ganho e os índices produtivos serão menores.

Portanto, há vantagens e desvantagens de se criar raças puras e cruzadas e a estratégia a ser adotada dependerá dos investimentos que o produtor pretende fazer sempre pensando que quanto maior o grau de sangue de taurinos no rebanho, as condições ambientais deverão ser cada vez melhor. Hoje, com tecnologias como suplementação alimentar nas fases de cria, recria e terminação é possível abater animais zebuínos com até 24 meses de idade, com carne macia semelhante a de cruzamento industrial, porém no caso de cruzamento consegue-se abater animais mais jovens e se usar principalmente Angus no Cruzamento obter cortes carneos com maior marmoreio o que leva a uma maior maciez da carne. A decisão portanto é de mercado e cabe ao produtor negociar com os frigorificos um diferencial de preço por este tipo de carne que certamente é mais cara de ser produziada quando comparada a do zebuíno.


NOSSO COMENTÁRIO...
Fica evidente que a escolha da raça como pura ou cruzada depente do sistema de criação e seus objetivos, bem como todo o contexto da cadeia produtiva que envolve esta escolha.

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