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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Entrevista

Eliza E. Santo

 Glenia C. Balieiro

PERGUNTAMOS PARA... Dr. Fábio de Oliveira Campagnon – Zootecnista, Proprietário do Sítio Gurita.

Na região Sudeste do Brasil, produzindo carne de qualidade e em grandes quantidades, qual raça bovina é considerada a mais adaptável aos sistemas de terminação a pasto e em confinamento?

A raça mais indicada para terminação a pasto é a Nelore, que demonstra melhores resultados de adaptabilidade às condições tropicais aliada com sua precocidade. No confinamento, sem dúvida o cruzamento industrial (Zebu X Europeu), obtém por meio da heterose uma superioridade dos cruzados em relação aos pais puros de raças zebuínas, promovendo em um menor período uma conversão alimentar superior e uma alta qualidade de carcaça.

NOSSO COMENTÁRIO...

Levando-se em consideração que a maior parte do rebanho brasileiro é terminado a pasto, muitos até com pouco ou nenhum nível de suplementação, fica claro a adaptabilidade da raça nelore para estas condições devido a sua rusticidade. Devido ao fato de um cruzamento industrial (zebu x europeu) possuir uma alta heterose e complementariedade, com uma boa conversão alimentar os animais cruzados conseguem imprimir em bons rendimentos de carcaça e ganho, uma dieta de alta qualidade.



Entrevista

Marina Anderson

 Wellington Costa Campos

PERGUNTAMOS PARA.... Antenor Moraes Prata - Proprietário do Rancho Nossa Senhora de Guadalupe

Quais as principais características que devem ser observadas em relação à conformação de úbere na bovinocultura de leite? Em sua propriedade há o fornecimento de uma dieta com o objetivo de obter incremento dos níveis de proteína e gordura? 

Na pratica, o que se busca hoje no gado Girolando é um úbere bem colocado e com tetos pequenos. Um úbere bem colocado é aquele com bons ligamentos de sustentação e isso aumenta a vida útil da vaca, já os tetos pequenos são importantes, principalmente aqui no nosso sistema que nas águas rotaciona piquete e a forragem está alta, para que eles não se esfreguem na pastagem o que pode causar ferimentos e infecções. Hoje o que tem valorizado o leite é seu teor de proteína, porém como o senhor Antenor não recebe por qualidade do leite e sim por volume de leite, ele diz não ser vantajoso investir na suplementação dos animais, o que vai aumentar o custo de produção, sendo que não vai receber por isto. O manejo do Sr. Antenor é deixar as vacas em piquete rotacionado com suplementação de sal proteínado nas águas e confinadas na seca, fornecendo silagem de milho e cevada com base da dieta. O que ele afirma saber é que grandes produtores que recebem por qualidade introduzem no seu rebanho uma quantidade de vacas Jersey que não produzem tanto quanto as holandesa, mas que produzem leite com maior porcentagem de proteína e gordura.

NOSSO COMENTÁRIO....

Rancho Nossa Senhora de Guadalupe
 
Concordamos que um úbere bem sustentado, bem irrigado, com altura o mais próximo da vulva e os tetos na altura dos jarretes previnem traumas e infecções aumentando assim a vida produtiva da vaca, ou seja, sua longevidade no rebanho. Em relação ao aumento da proteína e gordura do leite pelo manejo alimentar, é fato que os pecuárista apenas utilizarão de dietas para esta finalidade com o incentivo financeiro dado pela indústria com o pagamento por qualidade, uma vez que o custo de suplementação é alto.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Entrevista

Allan Henrique C. Pereira

Vitor Dezan Monção

PERGUNTAMOS PARA...Ivan Vitorelli – Médico veterinário, CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral)

Qual a melhor forragem para se utilizar em rebanhos leiteiros pertencentes à região Sudeste do Brasil, visando um aumento na produção de gordura no leite?


O aumento da gordura do leite é influenciado pela ingestão de volumosos ricos em fibras, portanto, qualquer volumoso de boa qualidade pode aumentar o teor da gordura do leite. Para a nossa região, Ivan recomenda o Capim Mombaça por ser uma forragem mais acessível aos pequenos produtores e que se bem manejado, pode atingir níveis protéicos de até 20% na matéria seca e NDT de até 65%, na matéria seca. Além disso, o mombaça tem elevadas produções de matéria seca por unidade de área. Várias outras espécies forrageiras tem se mostrado bastante eficiente em nossa região, desde que seja adubada e bem manejada com o sistema de pastejo rotacionado, comenta Ivan.

NOSSO COMENTÁRIO...

Levando-se em consideração de que grande parte das empresas de laticínios busca uma quantidade maior de gordura no leite para a fabricação de subprodutos desta matéria prima (queijo, manteiga, entre outros), é de extrema importância que o produtor se preocupe com a quantidade e a qualidade produzida de gordura no leite, para se manter no mercado deixando seu produto com um preço competitivo.
Concordamos com a utilização do Capim Mombaça, pois seu manejo não é dos mais caros e tem respostas positivas quanto ao desempenho produtivo do animal.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Entrevista

Lucas Mendes de Oliveira

Elaine Cristina Ravagnane


PERGUNTAMOS PARA... Dr. João Floriano Casagrande - SEMBRA - Técnicas e Produtos de Reprodução Ltda.

Em se tratando de genética de bovinos para corte, qual a posição do rebanho brasileiro em relação a outros grandes produtores de carne mundial ?

Existe genética aqui para que a produção de carne continue sendo a maior do mundo, porém o que acontece é que nem todos os produtores tem acesso a essa genética, quer por falta de conhecimento quer por falta de condições para a aplicação das mesmas.

O que se tem falado hoje em dia é que a população mundial em 2050 será de 9 bilhões de pessoas e alguém terá que produzir alimentos. Quem tem mais área cultivável e espaço para produzir esse alimento que o Brasil hoje ? Por isso a expectativa é grande. O desafio, no entanto é produzir mais com menos área, ou seja, aumentar a produtividade (e eficiência) sem precisar desmatar ou utilizar áreas de outros cultivos, mas nem todas as proprietários têm essa visão de que precisam aumentar a eficiência.

NOSSO COMENTÁRIO...

Atualmente para se ter eficiência no campo e consequentemente aumentar a produtividade precisa-se da aplicação de vários itens importantes na cadeia produtiva da carne, como dieta balanceada de qualidade, sanidade e visão econômica em todos os processos produtivos, bem como a genética que marca o  limite produtivo dos rebanhos. Só que ainda existem barreiras como a quebra do antigo sistema produtivo ainda existente na cultura da maioria dos pecuaristas, além disso, existe a necessidade de maior apoio do governo para obtenção de créditos, ajuda contra a "burocracia" de outros países na transferência de novas tecnologias e produtos relacionados à cadeia bovina, além da transferência de informações para o campo. Sem dúvida,  o potencial brasileiro é grande, ainda não é grande a eficiência.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Entrevista

Gabriel Meinberg de Menezes Caiel

Paulo Cesar de Oliveira


PERGUNTAMOS PARA...
Dr. Ricardo Dias Signoretti – Pesquisador Cientifico APTA – Colina/Engenheiro Agrônomo – Mestrado em Zootecnia – Produção de bovinos leiteiros/ Doutorado em Zootecnia – Nutrição de Ruminantes

Que mudanças devem ser feitas nos sistemas de produção da pecuária leiteira com o objetivo de melhorar a valorização do leite e aumentar a produtividade do setor? Quais as expectativas futuras para o mercado do leite?

O leite é um alimento fundamental na dieta da população devido suas propriedades nutritivas. O produtor deve trabalhar dentro de um sistema organizado de produção, fazendo uso de metodologias, aplicando-as no campo. Um bom exemplo é a manutenção da sanidade nos rebanhos mediante vacinação, manejo adequado, e principalmente alimentação, pois grande parte da qualidade do leite é refletida através da qualidade do alimento que o animal ingere, pois com uma dieta balanceada o produtor consegue atender as exigências nutricionais do animal conseguindo aproveitamento máximo de produção, juntamente com a genética.

Atualmente a indústria paga ao produtor pelo valor biológico do leite, e por ser um produto muito perecível o sistema de produção não pode cometer falhas, pois estas refletirão economicamente na propriedade, assim gerando prejuízos tanto para o produtor quanto pra sociedade que consumirá leite de má qualidade.

Gordura e proteína são os dois elementos essenciais que as cooperativas e empresas bonificam a propriedade. Através da alimentação o produtor consegue atingir boa composição do leite, e no momento que o leite entra no mercado com componentes em quantidades satisfatórias o produtor é compensado recebendo pelo seu trabalho e pela freqüência com que atingiu as metas exigidas pelo mercado.

Uma forma de atingir uma alta produtividade em propriedades leiteiras é aproveitar melhor a área, principalmente no caso de pastagem, pois esta é a fonte alimentar mais econômica. Dessa forma, deve-se investir no solo realizando adubações e irrigações, esta última, dependendo do tamanho da área, pois pode se tornar um investimento oneroso quando em áreas muito grandes, por isso também deve-se dar importância na escolha da forragem mais adequada pra as condições climáticas onde será plantada.

Um dos fatores mais prejudiciais na produção leiteira é a doença infecciosa mais conhecida como Mastite que gera um prejuízo de bilhões de dólares, pelo descarte do leite e custos com tratamento dos animais e depreciação da qualidade. Como a qualidade do leite é fundamental e essencial para o mercado nacional e internacional, dentro da cadeia produtiva do leite todos os processos devem ser seguidos rigorosamente de maneira correta para que o produtor e o consumidor fiquem satisfeitos com o produto obtido. A melhor forma de alcançar os níveis de exigência do mercado é através da prevenção, ou seja, o produtor rural deve seguir o velho ditado popular “melhor prevenir que remediar”, pois a prevenção é a forma mais viável e econômica, e a maneira mais inteligente de se evitar futuros problemas na produção.

Constantes análises são realizadas para conferência da qualidade do leite, e apontam onde o produtor está cometendo falhas no seu sistema de produção, e a partir disso, soluções dos problemas podem ser encontradas, como por exemplo, um mau resfriamento do leite que promove sua deteriorização, uma má alimentação fornecida que gera rendimentos ruins do leite como no caso de gorduras e proteínas, manejo inadequado realizado pela mão de obra que não foi capacitada de forma correta, etc. Ultimamente para melhor monitoramento da atividade está se usando a rastreabilidade, e este melhor controle zootécnico dos animais oferece mais credibilidade ao produto.

A conscientização do produtor rural é primordial, pois a adesão às boas prática amplia a disseminação da informação para que outros produtores também se conscientizem futuramente, pois além da produção de alimento, preocupar-se com desenvolvimento da pecuária leiteira também gera reflexos sociais positivos, pois emprega muitas pessoas direta e indiretamente, portanto é uma atividade que só tem a expandir na agropecuária.


NOSSO COMENTÁRIO...


Diante dos fatos analisados conclui-se que o Brasil tem uma grande capacidade produtiva no setor lácteo, porém não expressa seu potencial máximo de produção, pois há deficiências envolvendo a atividade. Observamos que para se obter produtividade não é necessário ter um número elevado de animais mais sim fazer uso de metodologias e tecnologias atuais e compatíveis com o objetivo de se obter maior produção com qualidade no sistema de produção leiteiro.

Conclui-se que um leite de boa qualidade gera sustentabilidade da produção, competitividade do produto no mercado consumidor e lucratividade para o produtor.